DUAS HARLEYS PELO PARAGUAY 

Por Rodrigo Dantas (Digão44)



Estávamos eu e meu irmão Douglas em um bar de São Paulo, depois de alguns copos de cerveja, ele me pergunta se eu não iria fazer um passeio de moto com ele, como quem me conhece sabe eu não nego um bom role de moto. Falei pra ele que só poderia se saíssemos na terça, pois teria que ir na aula na segunda feira e avisar meu professor que iria viajar. 

Eu estava fazendo meu curso teórico de PCA (Piloto comercial de avião) e a matéria que estava, era a que mais eu me dava bem, então conversei com meu professor, ele disse para que eu mandasse mensagens todos os dias pra ele, assim sabendo que eu ainda estava vivo ele não me penalizaria, mas que se eu faltasse esses dias e fosse mal na prova ele ia dar um jeito de me penalizar, puta cara gente boa, na prova dele acabei me dando muito bem, então ficou tudo bem. 

Mas voltando ao que interessa, no dia seguinte ao bar, conversei com a Tabata, minha mulher, e falei que iria viajar com o Douglas, ela disse que isso era papo de bêbado e que não iriamos, eu respondi que caso ele não me chamasse eu ficaria quieto, mas se ele desse algum sinal de vida eu iria, pois havia prometido. Dito e feito, na segunda cedo ele me ligou ''eae, vamos ou era papo de bêbado?'' respondi que ja estava indo trocar o óleo da Angela, ja que não sabia para onde iriamos e nem o quanto iriamos rodar.

Tudo pronto, uma mochila com duas trocas de roupa, professor camarada avisado, óleo e filtro trocado, na terça por volta das 06:00 nos encontramos no primeiro posto da rodovia Castelo Branco. Lá conversamos sobre aonde iríamos. Então decidimos ir até Assunción.

Seguimos até Londrina no Paraná para conhecer a loja da Harley de la, depois seguimos até Cascavel, aonde dormimos, acabou que chegamos a noite, e eu estava com um capacete novo, como era recém comprado ainda não tinha testado ele na estrada, ele tinha uma lente um pouco mais escura, que o vendedor tinha me dito que a noite ela ficava clara, não foi bem assim que aconteceu, quando anoiteceu eu avisei para o Douglas que não estava enxergando bem e fomos um pouco mais devagar e eu mirando na lanterna traseira da motoca dele, na época ele tinha uma Black Line igual a minha Angela.


Saímos de manhã do hotel e fomos até Foz do Iguaçu, la procuramos uma casa de câmbio, queríamos um dinheiro para eventuais pedágios ou para o caso de alguma necessidade que não pudéssemos passar cartão e que não aceitasse real ou dólares. foi ai algo surpreendente, trocamos R$100,00 e vieram 240.000 guaranis, moeda Paraguaia. nos sentimos ricos, claro que este sentimento durou até a primeira compra com aquela moeda (rsrsrs) 



Então, achando que estávamos ricos, seguimos para a fronteira pela ponte da amizade, passamos os guichês e paramos alguns metros a frente, aonde um mar de ambulantes veio nos atormentar oferecendo coisas para comprar, não querendo deixar as motos sozinhas ali, fomos um de cada vez fazer os processos de aduana e imigração, tudo ocorrendo bem, mesmo com aqueles caras chatos querendo de qualquer forma tirar dinheiro de nós, até que um, mais abusado, veio nos falar que teríamos que pagar a ele R$10,00 cada um, se não ele mandaria a policia nos parar mais a frente, óbvio que falamos pra ele ir se catar, saímos dali com tudo certo e começamos a rodar pelo pais vizinho rodamos por esses 340km sendo parados apenas uma vez, sem pedidos de "contribuición".

Chegamos a capital do Paraguay, e fomos conhecer a Harley de lá. Fomos muito bem atendidos pelo pessoal, claro que compramos uma camiseta com o nome da cidade, e recebemos duas dicas, a primeira muito boa do hotel a ficar, a segunda excelente nos disseram para irmos jantar em um bar chamado Rock 66. fizemos o check-in no hotel descansamos um pouco e fomos conhecer o tão falado bar, quando paramos as motocas, tinha uma ultra estacionada, com adesivos de países desde o Paraguay até o Alaska. Achei muito legal e quis saber se o dono tinha roda tudo isso mesmo, ai que o achei, se tratava do dono do bar, e ele me disse que havia comprado a motoca no Alaska, e veio com mais um amigo que comprou outra ate em casa rodando, achei sensacional a ideia. Pena que não me lembro o nome dele, mas no papo descobrimos que tínhamos inclusive amigos em comum no Brasil.


Entramos no bar, era muito bacana, tinham varias motos antigas como decoração, motos restauradas e que segundo o dono funcionavam. Logo na entrada me deparei com uma Capitão America linda com motor Knucklehead, maravilhosa. Comida muito boa e cerveja gelada, recomendo este lugar para todos que forem um dia la. Quando fomos para o hotel, vendo que ninguém la usava capacete, fizemos um passeio sem capacetes pela cidade, foi ai que vi de verdade o barulho que as motocas fazem (rsrsrs).


Antes de dormir, estávamos ainda sem saber para onde ir no dia seguinte, foi então que tivemos a ideia de voltarmos por Pedro Juan Caballero, essa mesma cidade do lado Brasileiro se chama Ponta Porã. Foram mais 460km pelo Paraguay, paramos em uma pequena cidade para abastecer, um vilarejo para dizer a verdade, o posto de gasolina tinha chão de terra, la gastamos o resto dos guaranis que tínhamos, na segunda abastecida, em uma cidade pouca coisa maior, no posto não aceitava cartão, e quando perguntamos se poderíamos pagar em Real ou Dólar, o frentista fez uma cara de não muitos amigos e disse que aceitaria em Dólares americanos, e fez a sua conversão, não muito justa, mas precisávamos de gasolina então tivemos que aceitar.

Saindo de Ponta Porã, ja no final da tarde, encaramos mais 350km até Campo Grande, aonde grandes amigos meus nos aguardavam, mas alem daquela viseira escura ainda tinham os mosquitos do final da tarde, que deixaram meu capacete de forma lastimável, quase não enxergava, parei umas duas vezes para limpar minha viseira. Realmente precisava.


Até que chagamos em Campo Grande, fomos recebidos da forma mais legal do mundo na casa dos meus irmão Juninho e Mari, meu sobrinho também nos aguardava ansioso para brincar, meu super parceiro Erick. Depois de rodar 770km ser recebidos por grandes amigos com churrasco e cerveja gelada é algo impagável, além de tudo com horas de papo com pessoas que gostam da mesma coisa que vc, isso pra mim é o verdadeiro conceito de amizade. Pra mim eles ja são mais que amigos, são parte da minha família. Muito obrigado por estarem sempre ao meu lado.


Depois de um noite relaxante e super agradável, nos demos ao luxo de passear pela cidade de Campo Grande antes de pegar a estrada. Pegamos a estrada no sentido se São Paulo, mas paramos em Lins já no nosso estado. No dia seguinte teoricamente seriam apenas mais 440km até em casa, mas quando chegamos em Botucatu, resolvemos mudar um pouco o caminho e aumentar o role. Foram na verdade 570km até chegar em casa. 


Chegamos em casa no final do sábado, e um amigo meu me chamou para irmos almoçar no domingo, em Monte Verde MG, o Douglas acabou não querendo, mas minha mulher decidiu ir junto, então fui, não que não estivesse satisfeito com o role de 5 dias motocando, mas quanto mais melhor. Domingo cedo pegamos a estrada de novo, mas desta vez quem estava junto era meu irmão Rafa, fomos até Monte Verde, paramos em uma fazenda no caminho aonde vendiam muitas coisas típicas de minas, como queijos e cachaças especiais. Chegamos, demos aquela turistada, uma cidade muito bonita, achamos um restaurante, lembrando que estávamos em minas, o que quer dizer que comemos muito bem, descansamos um pouco e voltamos pra casa. Um passeio bem legal, rodamos algo próximo a 340km, vale realmente esse role. Meu muito obrigado pela maravilhosa companhia a minha mulher Tabata, ao Rafa e a Cris.


Foi uma viagem internacional feita com a Angela, acompanhado do Douglas, demos muita risada, nos divertimos pra caramba, e conhecemos vários lugares, essa parte só foi possível pois meu irmão queria uma companhia e sabendo que eu estava com a grana curta, me ofereceu ela de presente, então tenho que agradecer eternamente a ele, e ainda faremos uma viagem junto por minha conta, mas enquanto esse dia não chega eu continuo agradecendo sempre a ele por este role que fizemos. Já a segunda parte agradeço a minha mulher por ter insistido em ir, e graças a isso tivemos um dia incrível com o Rafa e a Cris, são dias inesquecíveis pra mim, dias que aprendi muito, conhecei muitos lugares e tive momentos únicos que jamais esquecerei. Valeu galera.



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